Sexta-feira, 23 de Outubro de 2015

Festival Novas Frequências 5ª edição: RECAP

5 anos. 60 meses. 270 semanas. 1825 dias. 43.800 horas. 2.628.000 minutos…

Recapitular. Repetir. Resumir. Voltar. Compendiar. Relembrar. Recordar. Rememorar. Reviver. Compilar. Condensar. Recapitular. 

RECAP.

A 5ª edição do Festival Novas Frequências, principal evento internacional de música experimental e explorações sonoras da América do Sul acontece entre os dias 1 e 8 de dezembro no Rio de Janeiro. 

A programação reúne 32 artistas de 13 países diferentes em atividades que incluem shows, performances resultantes de residências artísticas, festa, palestras, discussões, oficinas, e, pela primeira vez, uma mostra de filmes, uma exposição de arte, uma feira de discos independentes e um hacklab. Continuando o formato de ocupação da cidade, o Novas Frequências distribui seus eventos este ano em 9 espaços: Oi Futuro Ipanema, Oi Futuro Flamengo, SESC Ginástico, Maison de France, Solar do Acabaxi, Galpão do Tunga, Calouste Gulbekian, Audio Rebel e Casa Rio. 

Fruto da parceria entre os produtores culturais Chico Dub e Tathiana Lopes, o Novas Frequências surgiu em 2011 sempre em busca de artistas que rompem com fronteiras preestabelecidas em busca de novas linguagens sonoras. Considerado o Melhor Festival do Rio de acordo com o Prêmio Noite Rio 2013, o festival só realiza apresentações inéditas no país. Ou seja: todos os artistas trazidos pelo festival nunca tocaram no Brasil antes. No caso dos artistas nacionais, a curadoria prima por apresentações que nunca ocorreram antes no Rio – seja trazendo artistas de outros estados que ainda não tocaram na cidade; seja propondo performances comissionadas de artistas residentes. 

Em função do seu quinto aniversário, o Novas Frequências adota um tema central que recapitula (“RECAP”) alguns dos conceitos, recortes e destaques das edições anteriores. Sem repetir sua programação, o NF realiza um reflexo histórico de tudo que já fez até hoje, dialogando assim com o seu passado em busca de criar um nexo, de fechar um ciclo para em seguida apontar para o futuro. Em outras palavras, o festival amplia as discussões trazidas anteriormente, trazendo novos artistas que possuem maneiras distintas de lidar com os temas levantados. Alguns exemplos:  transcendência e iluminação (2011); forte presença autoral feminina na nova cena eletrônica/experimental e o pop como experimento (2012); a síntese-resíntese de materiais pré-existentes e repetição como meio de criar abstração (2013); estudos sobre o continente africano e outros sons de velhos instrumentos (2014).

Os destaques são muitos. Desde o seu nascimento, o Novas Frequências sempre esteve muito mais ligado à arte contemporânea do que a música enquanto entretenimento. A relação com a arte sonora, com a música de invenção e com a performance, embora possa ser perfeitamente abrigada num palco, não deve se prender 100% a ele. Desta forma, em sua 5ª edição, o festival expande mais uma vez seu formato em busca de uma ampliação de seus estudos, abrigando propostas audiovisuais, instalativas e até mesmo fotográficas. No galpão do artista plástico Tunga, o Novas Frequências realiza duas ações que terão a mesma duração do festival – de 1 a 8 de dezembro. No amplo atelier localizado na Barrinha, as fotografias de Fabio Ghivelder utilizadas na identidade visual do festival serão apresentadas sem interferências gráficas em uma exposição. E o grande artista plástico Tunga, um dos mais conhecidos nomes da arte brasileira em todo o mundo, irá expor uma instalação sonora inédita. Diariamente, artistas e músicos experimentais de vários backgrounds irão interagir com a obra. Por fim, o cinema. Na Audio Rebel, principal ponto da cidade no que diz respeito a uma música mais desafiadora e instigante, o festival irá apresentar uma mostra com 6 longas, entre documentários, filmes de arte e experimentos sonoro-imagéticos.

O Solar do Abacaxi, uma casa de 1843 hoje abandonada, no sopé do Corcovado, é o cenário tropical perfeito para uma festa que investiga a África e suas diásporas. The Bug ft Miss Red é Jamaica via Brixton: toda a tradição do reggae e do dub através do filtro urbanoide e hooligan inglês. Já a dupla Auntie Flo & Esa mergulha fundo em ritmos latinos e africanos apimentando sua mistura de house e techno. Os enigmáticos poloneses do RSS B0YS fazem um techno xamanista com influências do oeste da África. Do Rio, a parceria entre Marginal Men + DJ Sydney atualiza o funk para o século 21. Vale mencionar que Kevin Martin, o “The Bug”, também toca no Novas Frequências com o seu trio King Midas Sound, um projeto de graves pesados, psicodelia, lovers rock e hip-hop abstrato.

Mais uma vez, o uso inovador de instrumentos convencionais retorna como recorte ao Novas Frequências, mostrando que o interesse do festival reside muito mais no como do que no quê. Dawn of Midi é um trio baseado no Brooklyn de origem marroquina, indiana e paquistanesa, que utiliza instrumentos acústicos para soar como música eletrônica. De Portugal, o Timespine usa um dobro, um zither e uma guitarra baixo. Fazem uma espécie de folk com elementos de música contemporânea e improvisação. Inédito no Rio de Janeiro, Juçara Marçal & Cadu Tenório apresentam seu primeiro trabalho em conjunto: Anganga é uma combinação da produção ruidista de Cadu com as reflexões de Juçara sobre as tradições afro-brasileiras. A performance batizada Cavulcão, do paulistano m.takara (também inédita no Rio), subverte a maneira como o tradicional cavaquinho é tocado.

No ano passado, Portugal foi destacado pelo Novas Frequências como peça fundamental na cena contemporânea internacional de música experimental. É o mesmo caso da Polônia, país com uma relevância impressionante em diversos espectros do experimentalismo, como improvisação livre, música contemporânea, eletroacústica e eletrônica. Em função disso, o Novas Frequências criou em conjunto com o instituto polonês Culture.Pl, o Centro Cultural São Paulo e o Unsound – festival baseado na Cracóvia que é hoje a principal referência mundial nos sons mais avançados – o programa Frequency:Poland. São ao todo 5 artistas (dois deles ao lado de brasileiros) em uma espécie de aquecimento para o ano da Polônia no Brasil em 2016. São eles: Jacek Sienkiewicz & Chinese Cookie Poets, RSS B0YS, Stara Rzeka & Bemônio, Wilhelm Bras e Kucharczyk.

Ainda com um recorte mais geográfico, em parceria com o Consulado Geral da França no Rio de Janeiro, o Novas Frequências desenvolveu um programa com dois artistas franceses e dois brasileiros. Felicia Atkinson é uma artista visual e sonora que usa e abusa de delays, loops e saturações em sua música-poesia concreta. Há ainda o já mencionado m.takara e os inventores Pierre Bastien e Marco Scarassatti. Bastien é o maestro por trás da “Mecanium”, uma orquestra de peças musicais automatizadas construídas a partir de partes mecânicas recicladas. Scarassatti vai apresentar no festival a obra Novelo Elétrico, uma construção poética de espaços sonoros tendo como matriz a improvisação e a gravação processada com instrumentos musicais não usuais, inventados e objetos situados entre a música e as artes visuais. 

A experiência com o som é expandida de uma forma nunca antes apresentada no festival. Além de Bastien e Scarassatti, a dupla italiana

Quiet Ensemble traduz instrumentos musicais clássicos através de recursos luminosos, estroboscópicos e teatrais com a função de formar uma verdadeira orquestra elétrico-óptica de frequência, calor e ruído. A relação entre o som e a arquitetura, mais especificamente a obra de Oscar Niemeyer, é o tema da residência artística do escocês Trudat Sound. E, finalmente, no primeiro hacklab (ou laboratório colaborativo) desenvolvido pelo festival, a dupla mexicana Interspecifics Collective, especialista em sonificação, vai coletar bactérias e sedimentos de diferentes praias do Rio para criar uma sinfonia de sons e ritmos não-humanos.

Depois de trazer, em edições anteriores, alguns dos principais nomes da eletrônica experimental –  artistas do porte de Tim Hecker, Ben Frost, Vladislav Delay, Actress, pole, Mark Fell e Keith Fullerton Whitman – chegou a vez de apresentar Mika Vainio, finlandês com uma sonoridade única entre o drone abstrato e o techno vanguardista. Outro importante destaque nesta seara eletrônica não-interessada na pista de dança é Tyondai Braxton, ex-guitarrista, tecladista e vocalista da banda de rock vanguardista Battles. E também os brasileiros Acavernus (Paula Rebellato) e Thingamajicks, um dos selecionados para a Red Bull Music Academy 2015, que este ano se celebra em Paris.

E, finalmente, a parceria inédita no Brasil entre Phill Niblock e Thomas Ankersmit. Niblock é uma uma autêntica lenda do experimentalismo norte-americano. Da mesma escola minimalista de Steve Reich, Terry Riley e Philip Glass, Niblock, que também é cineasta, cria drones microtonais, monolíticos e digitalmente processados: o resultado é a ausência completa de melodia ou ritmo. Ankersmit é mais eletrônico. Fenômenos acústicos, como reflexões de som, vibrações infrassônicas, emissões otoacústicas e projeções altamente direcionais são algumas das suas especialidades.

Importante citar que o Novas Frequências é único membro brasileiro do ICAS (International Cites Of Advanced Sound), network que reúne alguns dos mais importantes festivais de culturas sonoras avançadas, música de vanguarda e artes relacionadas como o Mutek (Montreal, Canadá), Unsound (Cracóvia, Polônia), CTM (Berlim, Alemanha), Future Everything (Manchester, Inglaterra) e TodaysArt (Haia, Holanda). O ICAS tem como objetivo estimular o diálogo, a troca de conhecimentos e o apoio mútuo entre organizações internacionais envolvidas com música e sons avançados. Desta forma ele promove a comunidade e a colaboração ao invés da competição entre empreendedores culturais. É uma plataforma criativa para a autorreflexão e aprendizagem em um nível global, convocando seus membros para se reinventarem constantemente. 

O Novas Frequências é realizado pela Cardápio de Ideias Comunicação e Eventos e conta com o patrocínio master da Oi, do Governo do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Cultura e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro; patrocínio da Skol Music; parceria institucional do SESC Rio, British Council e do Creative Scotland; apoio de mídia da revista inglesa The Wire e da rádio online alemã Berlin Community Radio; e apoio do ICAS, Consulado Geral da França no Rio de Janeiro, Counterflows Festival, Culture.pl, Unsound Festival, Centro Cultural São Paulo, Consulado do Reino dos Países Baixos, DGArtes – Portugal, Projeto DE.MO./MOVIN’UP sessão 2015.

CONTATO
Para mais informações entre em contato com nossa assessoria de imprensa através do email centro.info@britishcouncil.org.br ou ligue para (11) 2126-7500.

Serviço

Artistas 2015 em ordem alfabética

 

Acavernus

Auntie Flo & Esa (UK/ZA)

Dawn of Midi (US)

Felicia Atkinson (FR)

Interspecifics Collective apresenta: Non-Human Rhythms (MX)

Juçara Marçal & Cadu Tenório apresentam: Anganga

King Midas Sound (UK)

Marco Scarassatti apresenta: Novelo Elétrico

m.takara apresenta: Cavulcão

Marginal Men + DJ Sydney

Mika Vainio (FI)

 

Novas Frequências, Culture.pl, CCSP & Unsound Festival apresentam: Frequency:Poland

 

Jacek Sienkiewicz & Chinese Cookie Poets

RSS B0YS 

Stara Rzeka & Bemônio

Wilhelm Bras

Kucharczyk

 

Phill Niblock & Thomas Ankersmit (US/NL)

Pierre Bastien apresenta: Silent Motors (FR)

Quiet Ensemble apresenta: The Enlightenment (IT)

Thingamajicks

The Bug apresenta: Acid Ragga ft Miss Red (UK/IL)

Timespine (PT)

Trudat Sound (UK)

Tunga

Tyondai Braxton (US) 

 

 

2 – Programação

 

___Ordem Cronológica___

 

(Hacklab) Terça a sexta, 1-4/12 @ Calouste Gulbekian (10:00-18:00)

Interspecifics Collective apresenta: Non-Human Rhythms (MX)

 

(Exposição/performance) Terça a terça, 1-8/12 @ Galpão Tunga (16:00)

Exposição RECAP de Fabio Ghivelder

Instauração sonora inédita do Tunga com participação diária de músicos e artistas convidados

 

(Show) Terça, 1/12 @ SESC Ginástico (21:00)

Dawn of Midi (Estados Unidos)

Timespine (Portugal)

 

(Show) Quarta, 2/12 @ SESC Ginástico (21:00)

King Midas Sound (Inglaterra)

Juçara Marçal & Cadu Tenório 

 

(Show) Quinta, 3/12 @ Oi Futuro Ipanema (21:00)

Quiet Ensemble apresenta The Enlightenment (Itália)

Acavernus

 

(Show) Sexta, 4/12 @ Oi Futuro Ipanema (21:00)

Mika Vainio (Finlândia)

Thingamajicks 

 

(Festa) Sexta, 4/12 @ Solar do Abacaxi (23:00)

The Bug apresenta: Acid Ragga ft Miss Red (Inglaterra/Israel)

Auntie Flo & Esa (Escócia/África do Sul)

RSS B0YS (Polônia)

Marginal Men + DJ Sydney

 

(Discussões) Sábado, 5/12 @ Oi Futuro Flamengo

(11:00 – 14:00)

Trudat Sound (Escócia)

Auntie Flo & Esa (Escócia/África do Sul)

 

(Performance) Sábado, 5/12 @ Calouste Gulbekian (16:00)

Interspecifics Collective apresenta: Non-Human Rhythms (MX)

 

(Show) Sábado, 5/12 @ Oi Futuro Ipanema (18:00)

Phill Niblock & Thomas Ankersmit (Estados Unidos/Holanda)

 

(Show) Sábado, 5/12 @ Oi Futuro Ipanema (21:00)

Tyondai Braxton (Estados Unidos)

Trudat Sound (Escócia)

 

(Discussões/Oficinas) Domingo, 6/12 @ Oi Futuro Flamengo

(11:00 – 14:00)

Oficina Marco Scarassati – Deriva Sonora

 

(Show) Domingo, 6/12 @ Futuro Ipanema (18:00)

Jacek Sienkiewicz & Chinese Cookie Poets (Polônia/Brasil)

 

(Show) Domingo, 6/12 @ Futuro Ipanema (21:00)

Stara Rzeka & Bemônio (Polônia/Brasil)

 

(Palestra) Segunda, 7/12 @ Maison de France (12:00)

Felicia Atkinson (França)

 

(Show) Segunda, 7/12 @ Maison de France (21:00)

Pierre Bastien (França)

Marco Scarassatti

 

(Palestra) Terça, 8/12 @ Maison de France (12:00)

Pierre Bastien (França)

 

(Show) Terça, 8/12 @ Maison de France (21:00)

Felicia Atkinson (França)

m.takara apresenta: Cavulcão

 

___Por desdobramento___

 

Shows

 

SESC GINÁSTICO

 

1 de dezembro, 21:00

Dawn of Midi (Estados Unidos)

Timespine (Portugal)

 

2 de dezembro, 21:00

King Midas Sound (Inglaterra)

Juçara Marçal & Cadu Tenório

 

Oi Futuro Ipanema

 

3 de dezembro, 21:00

Quiet Ensemble apresenta The Enlightenment (Itália)

Acavernus

 

4 de dezembro, 20:00

Mika Vainio (Finlândia)

Thingamajicks 

 

5 de dezembro, 18:00

Phill Niblock & Thomas Ankersmit (Estados Unidos/Holanda)

 

5 de dezembro, 21:00

Tyondai Braxton (Estados Unidos)

Trudat Sound (Escócia)

 

6 de dezembro, 18:00

Jacek Sienkiewicz & Chinese Cookie Poets (Polônia/Brasil)

 

6 de dezembro, 21:00

Stara Rzeka & Bemônio (Polônia/Brasil)

 

Maison de France

 

7 de dezembro, 21:00

Pierre Bastien (França)

Marco Scarassatti

 

8 de dezembro, 21:00

Felicia Atkinson (França)

m.takara apresenta: Cavulcão

 

____Festa____

 

Solar do Abacaxi

4 de dezembro, 23:00 – 05:00

The Bug apresenta: Acid Ragga ft Miss Red (Inglaterra/Israel)

Auntie Flo & Esa (Escócia/África do Sul)

RSS B0YS (Polônia)

Marginal Men + DJ Sydney

____Hacklab____

Calouste Gulbekian

Hacklab: 1-4 dezembro, 10:00 – 18:00

Interspecifics Collective (México)

Performance: 5 de dezembro, 16:00

Interspecifics Collective (México)

____Cinema____

1 de dezembro, 16:00

Nine Futures: Sounds Fragmenting (60 minutos)

2 de dezembro, 16:00

Phantom Nebula (52 minutos)

3 de dezembro, 16:00

Learning to Listen (60 minutos)

4 de dezembro, 16:00

Brazil 84 (77 minutos)

7 de dezembro, 16:00

What we leave behind (60 minutos)

8 de dezembro, 16:00

Taking the dog for a walk (128 minutos)

____Discussões____

Talking Sounds/ British Council

Além de apresentações musicais nos mais variados formatos – de shows intimistas à performances voltadas para a pista de dança, o Novas Frequências realiza em parceria com o Transform (o programa de artes do British Council), o Talking Sounds, uma série de discussões teóricas sobre questões ligadas à música, ao som e ao comportamento contemporâneo. Esses encontros colocam na mesma mesa importantes figuras britânicas e profissionais de diferentes meios – jornalistas, antropólogos, críticos. Quais são as ambições estéticas dos artistas de hoje? A falência da indústria musical tem afetado a produção musical? Como é a relação do público com a música em um momento onde os formatos físicos estão se extinguindo? Até que ponto a tecnologia da informação tem atrapalhado a evolução da música? Essas são algumas das questões colocadas à mesa pelo Talking Sounds. 

Casa Rio

4 de dezembro, 14:00 – 16:00

13:00 - 14:00

Kevin Martin (The Bug/King Midas Sound) (Inglaterra)

14:00 - 15:00

Tony Herrington (Inglaterra)

Oi Futuro Flamengo

5 de dezembro, 11:00 – 13:00

11:00 - 12:00

Trudat Sound (Escócia)

11:00 - 13:00

Auntie Flo & Esa (Escócia/África do Sul)

____Residências____

Auntie Flo & Esa (Escócia/África do Sul)

Trudat Sound (Escócia)

Jacek Sienkiewicz (Polônia)

Stara Rzeka (Polônia)

Interspecifics Collective (México)

Felicia Atkinson (França)

____Exposição____

Exposição RECAP por Fabio Ghivelder

A convite do Novas Frequências, o fotógrafo Fabio Ghivelder foi a campo interpretar visualmente o conceito da 5ª edição do Novas Frequências. Suas fotos ilustram toda a identidade visual do festival, que tem direção de arte da designer Julia Liberati. São ao todo 8 imagens presentes em cartazes, e-flyers, camisetas e programa impresso; imagens essas que traduzem os reflexos históricos do festival através de sensações lúdicas e abstratas de sua sonoridade.

As mesmas imagens utilizadas na programação visual, além de uma série de outras fotografias com o mesmo tema, também serão apresentadas em uma exposição – só que agora sem tratamento e interferências gráficas; uma maneira encontrada pelo Novas Frequências de dialogar cada vez mais com o universo da arte contemporânea e das artes visuais.

Ghivelder iniciou sua carreira na Bloch Editores em 1982 e aprimorou sua experiência profissional em Nova Iorque, onde trabalhou por mais de 10 anos. Como fotógrafo e diretor de imagens e vídeos, vem atuando em projetos para artes plásticas, moda, design e publicidade. Teve seu trabalho veiculado e exposto em catálogos de artes plásticas (MAM-RJ, Itaú Cultural-SP, Galeria Fortes Vilaça-SP), revistas (Vogue Brasil, Vanity Fair, George Mag, New York Times Magazine) e produtos fonográficos (Adriana Calcanhoto-Sony, Marisa Monte-BMG, Nando Reis-Warner Music).

Em 1996, criou o programa semanal GNT Fashion e integrou a equipe internacional junto a diretora/apresentadora Betty Lago por 4 anos. A partir de 2003, iniciou junto ao artista plástico Vik Muniz uma parceria artística, sendo responsável pela elaboração, coordenação e produção de todos os aspectos de produção do artista no Brasil. Entre 2008 e 2012, trabalhou com consultor de exposições e montagem da Casa Daros.

Instauração sonora de Tunga

A carreira artística de Tunga, um dos artistas brasileiros mais fundamentais e consagrados, iniciou-se nos anos 70, quando graduou-se em arquitetura e realizou, em 1974, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, sua primeira exposição individual. Sua obra tem sido amplamente exibida na América Latina e na Europa há duas décadas e começou a ser significativamente apresentada nos EUA desde meados dos anos 90. Tunga participou de várias exposições coletivas e bienais em instituições de todo o mundo, entre elas a Bienal de Veneza, a Bienal de São Paulo, o MoMa de Nova York, o Ludwig Museum e a Documenta de Kassel na Alemanha e o Museu do Louvre em Paris.

Tunga cria obras de um imaginário exuberante em desenho, escultura, instalação, filme, vídeo e performance. Seu impulso multimídia está associado a uma compreensão da arte como campo multidisciplinar, em que filosofia, poesia, psicanálise, teatro e literatura – além de disciplinas das ciências exatas e biológicas – andam ao lado das artes visuais. Não raro, para o artista é importante ultrapassar os limites entre ciência e fantasia, realidade e ficção, resultando na criação de uma mitologia própria. Em vários de seus trabalhos, o artista convida performers para realizar algo parecido a rituais performáticos, “inaugurando” a obra. Para denominar estas obras, Tunga prefere o termo “instauração” à performance ou instalação, que definiria de maneira mais satisfatória algo que, a partir daquele ato, começa a existir. É o caso, por exemplo, dos pavilhões True Ruge e Galeria Psicoativa em Inhotim. E também de uma instalação (ou melhor, instauração) sonora inédita que o artista inaugura no Novas Frequências. Durante toda a duração do festival, seu galpão na Barrinha, local onde a obra será exposta, estará aberto para visitação. Será uma espécie de ocupação onde diversos artistas sonoros e músicos experimentais irão e dialogar ao vivo com a obra.

3 – Biografia dos artistas em ordem alfabética

ACAVERNUS

https://acavernus.bandcamp.com/

ACAVERNUS é o projeto intuitivo de música experimental que também explora o vídeo e a poesia, formado no fim de 2013 por Paula Rebellato (de bandas como Rakta, Mauna Kea e Hierofante). Paula decidiu firmar o seu projeto participando pela primeira vez como ACAVERNUS na exposição do Coletivo Tridente em abril de 2014, projetando o vídeo autoral intitulado "Uma Odisseia na Memória" e criando uma trilha sonora ao vivo. Depois, uma série de singles, lançados quase que em sequência durante um ano, deram a tônica geral do som do projeto.

Seu primeiro álbum (homônimo) lançado em fita cassete em setembro deste ano traz quatro longas faixas gravadas em casa, músicas de mais de dez minutos de um dark ambient sepulcral que progride lentamente e é marcado por essa neblina sonora intensa: vocais incorpóreos, ruídos angustiantes e uma percussão completamente descompassada. A sensação, é a de se estar dentro de uma marcha envolvente de espíritos antigos, tenebrosos e rudimentares.

https://vimeo.com/100313073

Auntie Flo & Esa(Huntleys+Palmers/ Reino Unido, África do Sul)

Nascido em Glasgow, Brian d'Souza é o homem por trás do Auntie Flo. Ao lado de nomes como Daphni, Romare, Sinkane, Shackleton, Débruit e John Wizards, é um dos projetos mais consistentes de música eletrônica com influências não-anglo saxãs. Theory of Flo, seu último lançamento, traz dez faixas gravadas durante um período de dois anos em Havana, Glasgow e Londres. O disco foi feito em parceria com Esa, produtor sul-africano que também vem ao Novas Frequências.

Além de uma apresentação ao vivo, Auntie Flo e Esa terão a missão, através de uma residência artística, de gravar com músicos e artistas locais para lançamentos futuros. Vale destacar que a dupla é parceira na Highlife World Series, um trabalho que tem como mote a exploração das paisagens sonoras da África e América Latina. Os três primeiros discos da coletânea serão investigações sobre a música de Cuba, do Quênia e de Uganda, respectivamente. Cada lançamento inclui exclusivamente faixas produzidas com músicos locais de cada um desses países e todos os lucros recebidos com a venda dos discos será mandado de volta para os países que os originaram. 

 

Dawn of Midi

(Erased Tapes/ Estados Unidos)

Dawn of Midi é um projeto musical formado em 2007, no Brooklyn. A maneira como o trio utiliza somente instrumentos acústicos (piano, contrabaixo e bateria) para soar como música eletrônica tem a ver com o seu jeito anormal, estranho, de tocá-los. Suas performances ao vivo são verdadeiros testes de resistência e confiança que envolvem costurar loops uns aos outros manualmente, nota por nota. O resultado são sets enérgicos e ritmicamente tão bem mixados que se assemelham a performance contínua de um DJ. 

Por anos, o Dawn of Midi, formado pelo baixista Aakaash Israni (nascido na Índia), o pianista Amino Belyamani (nascido no Marrocos) e percussionista Qasim Naqvi (nascido no Paquistão), foi se adaptando e englobando novos corpos referenciais, para finalmente culminar em Dysnomia, de 2013. Com um toque de retrofuturismo e absorvendo, em estruturas musicais complexas, que induzem ao transe, influências das tradições africanas, hindus e sul-asiáticas, Dysnomia foi parar na listas de melhores discos do ano de veículos como a The New Yorker, a NPR e a BBC. Segundo a SPIN, o álbum é “estelar”, e, para a Pitchfork, é “totalmente sem precedentes”.

Felicia Atkinson

(Shelter Press/ França)

Felicia Atkinson é uma artista visual, artista sonora e escritora francesa. Suas obras visuais – esculturas, pinturas, instalações e colagens – incluem uma variedade de mídias unidas num processo em que a via técnica fundamental é a improvisação para tocar, compor, escrever e pintar, um processo cujos elementos essenciais são delays, loops, saturações e uma miríade de outras ferramentas de criação específicas.

Buscar uma posição radical no mundo da arte, concentrando-se em publicar suas obras com autonomia, tanto no sentido financeiro quanto no sentido intelectual, sempre foi uma preocupação crucial e um força de propulsão ao longo de sua carreira. Seu lançamento mais recente, o álbum A Readymade Ceremony, por exemplo, foi gravado inteiramente em um laptop utilizando um software básico de composição. Atkinson reafirma a importância do DIY no processo de criação: o espaço do artista como local de exibição, o estúdio como território de gravação, o livro como incisão, o disco em si como uma forma escultural de documentação. A Readymade Ceremony é uma obra de oratória pós-digital e música concreta intimista em cinco partes. Os objetos falam, esculturas discutem; há um sentimento surreal nos sussurros sombrios que se ouvem nesse teatro de desejos, nessa desmaterialização de corpos através do som – uma porta escancarada para a poesia sonora.

Interspecifics Collective apresenta: Non-Human Rhythms

(México)

Interspecifics Collective é uma coletivo multiespécie que faz experimentos buscando a interseção entre arte, ciência e tecnologia. Sua sonoridade está ligada a um apreço por práticas hibridizadas que utilizam organismos vivos (bactérias, plantas, musgos), “conhecimento aberto” e a precariedade como ferramenta. Seus trabalhos – assunto em veículos da mídia internacional como El País, CNN, Digicult, Rhizome, Reforma, The Economist e The Creators Project – exploram a relação entre som, matéria, eletricidade e outras manifestações físicas de frequências com a intenção de entender os padrões contidos em diferentes organismos e sistemas sintéticos que se baseiam, intimamente, em vibrações para se comunicar.

Liderados pelas mexicanas Leslie Garcia e Paloma Lopez, o Interspecifics irá coordenar no Novas Frequências um laboratório colaborativo de quatro dias de duração com até 10 músicos e artistas locais. Serão coletadas água e sedimentos de diferentes praias do Rio e cada participante irá construir uma célula combustível microbiana e um amplificador de sinal baseado em Arduino. Os diferentes sons e ritmos decorrentes dos microrganismos coletados serão apresentados por todos em uma performance ao vivo.

Juçara Marçal & Cadu Tenório apresentam: Anganga

(QTV/ Brasil)

Juçara Marçal é a compositora e criadora de Encarnado, provavelmente o melhor álbum brasileiro de 2013. Cadu Tenório é um prolífico compositor da cena carioca de noise/improv, lançando uma média de aproximadamente três álbuns por ano desde 2012. Participa de projetos como o VICTIM!, o Sobre a Máquina e o Ceticências, e já colaborou com artistas como Alice Caymmi e Márcio Bulk (no trabalho Banquete).

As músicas de Juçara são essas poesias inebriantes que saltam entre o lúdico e o dramático em questão de segundos, geralmente sob a instrumentação enérgica de Kiko Dinucci, Thiago França, Rodrigo Campos e Marcelo Cabral (Passo Torto, Metá Metá). E as músicas de Cadu são um elogio à catarse crítica do caos, à simultaneamente pontual e contínua fruição do inesperado.

Seu primeiro álbum em conjunto, Anganga, é uma mistura interessante das influências musicais dos dois, uma combinação da produção ruidista de Cadu com as reflexões de Juçara sobre as tradições afro-brasileiras. A maioria das músicas em Anganga é baseada nos congados e vissungos – cantos ancestrais dos negros benguelas (Angola) de São João da Chapada, Diamantina, Minas Gerais. 

King Midas Sound

(Ninja Tune/ Inglaterra)

King Midas Sound é um supergrupo formado pelo britânico Kevin Martin, o poeta natural de Trinidad Roger Robinson e a artista e cantora japonesa Kiki Hitomi. Martin é músico, produtor e jornalista, e esteve por duas décadas nas cenas inglesas de dub, jazzcore, hip-hop industrial, dancehall, ragga e dubstep. Seus outros projetos incluem o renomado The Bug, além de GOD, Techno Animal, Ice, Curse of the Golden Vampire e Pressure. Kevin Martin já colaborou com figuras tão diversas como John Zorn, Justin Broadrick, El-P, Death Grips, Alex Empire, Grouper, Blixa Bargeld (Einstürzende Neubauten) e Mark Stewart.

No King Midas Sound, uma estranha mistura de graves pesados, psicodelia, lovers rock e hip-hop abstrato é ornamentada por poesia marginal, vocais etéreos com contornos pop (apesar de altamente sombrios) e percussões intrincadas. Seu último trabalho, batizado Edition 1, é uma parceria com o compositor e guitarrista austríaco Christian Fennesz. Lançado em setembro deste ano, o EP tem recebido críticas positivas por seu drone sedutor, espacial e alucinatório coberto pelo caracteristicamente lírico spoken-word de Robinson e Hitomi.

m.takara apresenta: Cavulcão

(Desmonta/ Brasil)

Maurício Takara, ou só m.takara, é um percussionista, trompetista e produtor que atualmente toca bateria em bandas de post-rock e rock experimental como Hurtmold e São Paulo Underground. Desde seu primeiro disco em carreira solo, um autointitulado de 2004, Takara vem se destacando pela linguagem singular que permeia todos os seus trabalhos em suas diversas formações. A naturalidade com que o músico executa instrumentos acústicos e eletrônicos deixa um caminho aberto para experimentações, improvisos e estruturas sólidas.

Mundotigre, de 2014, é uma obra excepcional de minimalismo texturizado. E o projeto Cavulcão, que ele apresenta pela primeira vez no Rio a convite do Novas Frequências, é um set todo baseado no cavaquinho. Utilizando o auxílio de delays, efeitos e sintetizadores, Cavulcão foi criado com a ideia de basear todos (ou praticamente todos) os sons num instrumento só, explorando ao máximo as possibilidades de um instrumento tão pequeno e portátil como o cavaco.

Marco Scarassatti apresenta: Novelo Elétrico

Nascido em Campinas, Marco Scarassatti é um artista sonoro e compositor que desenvolve um trabalho de pesquisa e construção de esculturas, instalações e emblemas sonoros. Já participou de festivais nos EUA, Chile, Argentina, Espanha e Portugal, além de já ter lecionado na Universidade de Valparaíso, no Chile, e lecionar atualmente na UFMG. Também é idealizador e curador de diversos festivais e exposições e cineasta autodidata (seu curta-metragem A Terra do Silêncio ganhou doze prêmios entre 2002 e 2003).

Novelo Elétrico foi pensado como uma construção poética de espaços sonoros tendo como matriz a improvisação e a gravação processada com instrumentos musicais não usuais, inventados e objetos situados entre a música e as artes visuais. A proposta parte da ideia de novelo, que é um emaranhado de fios que antecede a tecelagem, ou mesmo é posterior a ela, quando se organizam as sobras. No caso do álbum homônimo e desta apresentação em específico, a improvisação é um fio complexo esgarçado ao máximo de acordo com suas potencialidades. Essas potencialidades estão dentro de um âmbito ligado ao tempo, ao gestual, à textura, à corporeidade, ao timbre, ao ruído, ao sentido de profundidade e a uma qualidade de ambiência. Cada elemento sonoro deve ser levado ao seu extremo. Cada novelo é um lugar inventado, um quase-objeto tridimensional, um espaço para ser ouvido, e que é habitado pelos elementos que são performados e pelo corpo que performa e é apreendido na escuta como gesto. Se a música é um tempo dentro de um tempo, a ideia do novelo elétrico é que ele seja um espaço dentro do espaço da audição.

Marginal Men + DJ Sydney

Marginal Men é um duo formado por Pedro Fontes e Gustavo Elsas, dois DJs e produtores que são figuras importantíssimas na fomentação dos circuitos noturnos carioca e paulistano. Como residentes fixos da Wobble, por exemplo – festa responsável por trazer para o Brasil nomes de peso do cenário internacional, como DJ Rashad (D.E.P), DJ Spinn, Machinedrum, Scratcha DVA, Plastician, Pearson Sound e Untold – foram responsáveis por criar uma nova audiência e um novo contexto para a bass music e o (novo) funk carioca. Depois de se tornaram reconhecidos por vários remixes e edits de funkeiros emergentes, como MC Bin Laden, MC Brinquedo e MC Pedrinho, a dupla começou a lançar músicas próprias que tendem ao footwork e ao próprio funk carioca.

O DJ Sydney (Silva) vem de um panorama parecido. Embora ainda em início de carreira, seus remixes e mashups de clássicos de Major Lazer e RL Grime em versão “heavy baile” demonstram alto potencial, o que o fez merecer uma residência artística no Theatre Royal Stratford East, em Londres.

Mika Vainio

(Touch, Editions Mego/ Finlândia)

Utilizando um arsenal minimalista de hardware, o finlandês Mika Vainio desenvolve um trabalho que abrange toda a história da música eletrônica. Começando com a música concreta e eletroacústica dos anos 50, viajando para as transgressões pós-punk da música industrial, entrando com confiança nas pistas de dança techno, até chegar à interzona híbrida do século 21. 

Atualmente com residência em Oslo, na Noruega, Mika Vainio foi durante muitos anos metade do inovador projeto de techno experimental Pan Sonic (junto com Ilpo Väisänen). Antes do duo, que inclusive chegou a tocar em São Paulo em 2004, Mika tocava bateria e eletrônicos como parte da cena finlandesa de noise e industrial. 

Seus trabalhos solo, sob o seu próprio nome ou sob alcunhas como Ø, são conhecidos por seu calor analógico e aspereza eletrônica. Seja em drones abstratos ou techno vanguardista, Vainio está sempre criando sons únicos. Já lançou trabalhos para selos como Editions Mego, Touch, PAN e Raster Noton, e já produziu, entre outros, Alan Vega (do Suicide), Keiji Haino, Chicks on Speed, John Duncan, Kevin Drumm, Merzbow, Charlemagne Palestine, Christian Fennesz e Stephen O'Malley. Em seu último trabalho, Halfway to White, Vainio colabora com a fotógrafa francesa Joséphine Michel em um disco-livro em que os detalhes, anteriormente incidentais ou periféricos, assumem um novo, ainda que abstrato, significado.

____Novas Frequências, Culture.pl, CCSP e Unsound Festival apresentam Frequency:Poland____

Jacek Sienkiewicz & Chinese Cookie Poets 

RSS B0YS

Stara Rzeka & Bemônio 

Wilhelm Bras

Kucharczyk 

O Festival Novas Frequências se antecipa às comemorações do ano da Polônia no Brasil em 2016 e promove um showcase com cinco performances – duas delas combinadas com os artistas brasileiros Chinese Cookie Poets e bemônio – e três residências artísticas. A curadoria e a realização das atividades foi feita em parceria com o instituto polonês de cultura e exportação Culture.pl, o Centro Cultural São Paulo e o festival de música avançada Unsound. Baseado na Cracóvia, mas com braços em Nova Iorque, Toronto e Adelaide, na Austrália, o Unsound é sem dúvida um dos mais incensados festivais do nicho. 

Jacek Sienkiewicz & Chinese Cookie Poets

Jacek Sienkiewicz é um criador de texturas e melodias experimentais com um pé nas tradicionais cenas de dance de Detroit e Chicago e outro no jazz moderno e na música clássica contemporânea – seu sons sempre tentam achar o ponto de intersecção entre o avant-garde e a pista de dança. Depois de publicar uma colaboração recente com o lendário Max Loderbauer, Sienkiewicz retornou com uma persona mais contemplativa do que nunca em Drifting, seu quinto álbum.

Chinese Cookie Poets é um trio carioca que toca um rock ríspido, físico e lúdico; um free jazz roqueiro com uma estética stop-and-go e dinâmicas de tirar o fôlego em composições curtas. Uma apresentação ao vivo do Chinese Cookie Poets é sempre um misto de intensidade brutal e intervenções meticulosas, com composições fixas mas que abrem espaço para terrenos de improviso. Seu primeiro álbum, Worm Love, conta com a participação de Arto Linday em uma das faixas, e sua obra mais recente, ■, de 2014, precedeu a saída para sua primeira turnê na Europa, onde realizaram um total de 8 shows distribuídos por 6 países.

RSS BOYS

RSS B0YS é um projeto de techno xamanista de dois poloneses anônimos, que combina aparelhos analógicos com sequenciadores eletrônicos. Com lançamentos pelo proeminente selo polonês MIK MUSIC, propulsionados por um encontro em Benin, na África Ocidental, e inspirados pelo potencial transformativo dos tambores primitivos, o projeto celebra a origem arcaica do techno ao explorar tradições tribais tanto como matéria de erudição quanto como experiência sensorial, provocativa e hipnotizante.

Camuflados sob estranhas capas e casacos, brincando com pseudônimos crípticos, eles constroem sua identidade visual ao triturarem suas identidades reais, para obscurecê-las em mistério, e, por isso, rapidamente atraíram seguidores curiosos e odiadores fervorosos, espalhando rumores e especulações a respeito dos artistas por trás do ato.

Stara Rzeka & Bemônio

Stara Rzeka é a banda-de-um-homem-só de Kuba Ziolek. Por um lado, instigado pela iminente fusão de natureza e tecnologia; por outro, apaixonado pela pura e crua realidade, totalmente desantropomorfizada. No Stara Rzeka, Ziolek usa arranjos de guitarra, pedais de efeito, sintetizadores e um MicroKorg para derreter seus folks acústicos em ondas texturizadas de drone e kosmische, trazendo a tona panoramas sonoros da geografia polonesa atrelados a uma certa nostalgia causada pela avalanche da modernidade.

Ziolek é bastante conhecido no underground polonês por seus outros trabalhos, mas foi justamente o Stara Rzeka que o trouxe aclamação crítica plena, tanto no próprio país quanto fora: seu disco Cień Chmury Nad Ukrytym Polem ficou recentemente com a 11ª posição na lista de melhores do ano da revista eletrônica inglesa The Quietus.

Bemônio é o projeto carioca dos artistas Paulo Caetano, Gustavo Matos e Eduardo Manso. O trio mergulha em ruídos, distorções e glitches para criar invólucros densos de som extremo com a intenção de causar desconforto e levar a um tipo de transe ritualístico, sectário. Santo, de 2013, e Opus Dei, de 2014, alargaram a palheta de tons sombrios do bemônio, expandindo suas possibilidades de terror e invasão musical. Em Desgosto, recém lançado, o uso dos elementos improvisativos cresce ao ponto de transmutar seu som em um tipo de doom metal sem forma fixa, uma espécie de “drone free jazz”.

Wilhelm Bras 

Paweł Kulczyński é um artista sonoro e músico experimental polonês que trabalha com uma palheta variada de mídias: com tecnologias, instalações e instrumentos caseiros, bem como o vídeo e fotografia. Em seu trabalho como Wilhelm Bras, Kulczyński explora interesses conceituais que incluem elementos como a incerteza, ocorrências fenomenológicas aleatórias, a preguiça, o tédio, o ócio e a psicodelia. 

O álbum de 2013, Wordless Songs By The Electric Fire, uma alquimia densa e borbulhante de beats atmosféricos, foi lançado pela MIK MUSIK, e seu álbum mais recente, Visionaries & Vagabonds, é uma intensa, complexa, eclética e multifacetada desarmonia de ritmos e timbres. Desde 2005, Paweł Kulczyński coopera com o Kronika Center for Contemporary Arts. E desde 2010, gerencia a “Fragile Boredom”, plataforma estabelecida para confrontar e relacionar diversos campos da música experimental e da arte moderna. Seu objetivo é organizar oportunidades criativas, providenciar ferramentas de invenção de novos contextos e espalhar ideias entre artistas, teóricos e público. 

Kucharczyk

Wojciech Kucharczyk, nascido em Katowice, na Polônia, é conhecido como um músico hiperativo e fundador do selo experimental MIK MUSIK. Baterista, cantor, tecladista, produtor, programador e eletronicista, seu trabalho solo como Kucharczyk só começou em meados de 2013. Antes disso, participou de outros projetos como Molr Drammaz, hwdjazz, TerriTerrorTorium (com Felix Kubin), Pathman, e muitos outros.

Kucharczyk se formou em artes visuais e design gráfico, e rapidamente penetrou a cena de música livre e arte sonora. Prolífico, já gravou uma quantidade significativa de discos (mais de cinquenta, alguns sob o codinome Retro*Sex*Galaxy) e fez muitos shows, geralmente bem barulhentos – sua música é feita para ser tocada em níveis vulgarmente altos: sua tendência para colocar tudo nessa moldura surreal e brutalizada acaba criando um espelho deformado da violência e da agressividade contidas de forma subcutânea na cultura do consumo. Wojciech quer responder a uma só pergunta: é possível fazer música tão densa quanto a própria realidade em que vivemos?

Phill Niblock & Thomas Ankersmit

(Touch/ Estados Unidos e Holanda)

 Phill Niblock é um compositor minimalista, cineasta, e diretor do “Experimental Intermedia”, instituto de música de vanguarda fundado em 1968, em Nova Iorque. Sua influência se estende, com um impacto incrível, a uma grande quantidade de compositores de renome mais jovens, como Susan Stenger, Lois V Vierk, David First, Glenn Branca e os eternos Sonic Youth Thurston Moore e Lee Ranaldo.

Em sua música, Niblock usa drones microtonais, monolíticos e digitalmente processados: o resultado é a ausência completa de melodia ou ritmo. O movimento sonoro é lento - geologicamente lento -, com mudanças muito sutis, quase imperceptíveis. Sua música tem uma tendência a ir subindo em você, te invadindo, através da superposição e justaposição de sustenidos que são obtidos através do reprocessamento de instrumentos acústicos em complexos padrões harmônicos. Suas performances costumam durar horas e muitas vezes são acompanhados por projeções de seus filmes.

A obra mais famosa de sua autoria é uma série de filmes intitulados The Movement of People Working, um estudo com mais de 25 horas que mostra longas cenas de pessoas realizando exaustivos trabalhos manuais em regiões rurais ao redor do mundo entre 1973 e 1991 (inclusive no Brasil, onde esteve em 1984). 

Thomas Ankersmit é um artista holandês especializado em instalações sonoras. Fenômenos acústicos, como reflexões de som, vibrações infrassônicas, emissões otoacústicas e projeções altamente direcionais de som têm sido uma parte importante de seu trabalho a partir do início dos anos 2000. Desde 2006, o seu instrumento principal (ao vivo e em estúdio) é o sintetizador analógico modular Serge. Sua música eletrônica é caracterizada pela presença de equipamentos propositalmente mal utilizados, como o uso de interrupções de sinal para criar enxames densos, mas finamente detalhados, de som.

Ankersmit teve projetos homenageados no prestigioso Ars Electronica, e suas colaborações recentes incluem sessões de gravação com Kevin Drumm no GRM em Paris; com o compositor e performer siciliano Valerio Tricoli em uma série de obras eletroacústicas lançadas pela gravadora PAN; e numa nova composição para o norte-americano Phill Niblock. Sua música e seus trabalhos de instalação foram apresentados no mítico Berghain, no Museu Hamburger Bahnhof e no Instituto KW de Arte Contemporânea, todos em Berlim; no Paradiso e no Muziekgebouw, em Amsterdã; no centro cultural Arnolfini, em Bristol; no CCA, em Glasgow; no Museu de Serralves no Porto; no MoMA PS1, em Nova Iorque; e em festivais de música experimental e contemporânea em todo o mundo. Ankersmit tem sido um palestrante convidado em universidades como CalArts, Stanford, o Instituto de Arte de Chicago, Harvard e Universität der Künste.

Pierre Bastien apresenta: Silent Motors

(Morphine/ França)

Pós-graduado em literatura francesa do século 18 pela Sorbonne, o compositor francês e multi-instrumentista Pierre Bastien iniciou sua carreira em grupos musicais (Operation Rhino, Nu Creative Methods) e logo em seguida com a companhia de dança Dominique Bagouet. A partir de 1986, começou a se envolver com a Bel Canto Orquesta, de Pascal Comelade. Na mesma época, começou a criar – e literalmente a construir – sua própria orquestra, a “Mecanium”: um ensemble de peças musicais automatizadas construídas a partir de partes mecânicas recicladas (autômatos, motores elétricos e vitrolas) que tocam instrumentos acústicos de todo o mundo, como a flauta chinesa, o bendir marroquino e o saron javanês.

Uma orquestra de som atemporal, futurista e ligeiramente dadaísta, a “Mecanium” pode chegar a conter até 80 elementos, evocando tradições antigas em sua música surpreendentemente sensual. Nos últimos anos, Pierre Bastien e suas máquinas tem colaborado com o video artista Pierrick Sorin, o designer de moda Issey Miyake, o cantor e compositor britânico Robert Wyatt e a companhia de circo Trottola em performances, instalações sonoras e gravações. Em 2015, Bastien criou um novo projeto batizado Silent Motors que consiste em dois frames de rodas e engrenagens que são lançadas na direção de uma tela através de um retroprojetores, ordenando instrumentos de sopro, máquinas e músicos do passado em forma de vídeo-imagens, e, assim, criando todo um novo mundo projetado, cheio de delicadeza própria.

Quiet Ensemble

(Itália)

Formado em 2009 pelos italianos Fabio Di Salvo e Bernardo Vercelli, o trabalho do Quiet Ensemble é construído na observação do equilíbrio entre caos e controle, natureza e tecnologia, criando temas que perfeitamente mesclam esses elementos, que tomam forma a partir da relação entre assuntos orgânicos e artificiais, e que deslocam a atenção para elementos insignificantemente maravilhosos, como o zumbir de uma mosca ou o farfalhar das árvores.

 

Seus métodos de composição estão ligados às tecnologias que exploram possibilidades estéticas e conceituais decorrentes de novas técnicas de interatividade tecnológica, para que elas possam se tornar as ferramentas da criação musical – tal como o pincel para o pintor. Em “The Enlightenment”, performance que será apresentada no Novas Frequências, instrumentos musicais clássicos são traduzidos em recursos luminosos, estroboscópicos e teatrais com a função de formar uma verdadeira orquestra elétrico-óptica de frequência, calor e ruído.

Manipulando a relação entre tempo e espaço, som e imagem, o trabalho altamente mutável e instável do Quiet Ensemble se relaciona com o espaço e o movimento, modificando-se através dele. Ele enfatiza os eventos inesperados, rejeita a aparente imobilidade das formas e dilui a oposição entre forças aparentemente divergentes na natureza. Formas concretas e abstratas são seccionadas e remodeladas em saltos híbridos, enquanto que, paralelamente, as formas puras ganham protagonismo estético.

Thingamajicks 

(Bliq, Subsubtronics/ Brasil)

Depois de gravar álbuns com bandas de black metal (Sesso Violento) e noise/improv (Coprophagic Substratum) durante sua graduação em Sonic Arts pela londrina Middlesex University, o paulista Vinicius Duarte levou seu foco artístico à música eletrônica. O Thingamajicks possui um pé no techno e outro na ambient music e o levou a ser selecionado para a Red Bull Music Academy, que este ano acontece em Paris.

Com um 12” chamado Patrick’s Last Trip lançado pelo selo inglês Bliq Records, e o álbum Poison Pills, pelo seu próprio selo, o Subsubtronics, Thingamajicks faz um som sintético, cru, que brinca com o acaso e é repleto de texturas e ambiências futuristas, psicodélicas e sombrias. Seu techno hipnótico tem contornos antropológicos muito imaginativos, sempre embebidos numa africanidade adulterada e repensada. Vinicius ainda produz uma série de vídeos lisérgicos em seu canal do Vimeo para ilustrar suas músicas, e assina um outro projeto, o dieckmanns, onde incorpora a iconografia televisiva às paisagens sonoras do Chicago House. 

The Bug apresenta “Acid Ragga” ft Miss Red

(Ninja Tune/ Reino Unido, Israel)

Concebido como uma trilha sonora alternativa para o filme A Conversação, de Francis Ford Coppola, o primeiro álbum do The Bug, Tapping the Conversation, foi lançado em 1997 pelo seminal selo Wordsound. Nessa primeira encarnação, o projeto consistia em um duo formado por Kevin Martin e o DJ Vadim. E sua sonoridade trazia uma vertente que tendia mais ao downtempo e ao trip-hop. Depois, com seu segundo álbum, Pressure, lançado pela Rephlex Records em 2003, e sem a participação do russo Vadim, seu som foi assumindo um estilo mais parecido com o atual: faixas embebidas em dub que fazem referências constantes ao ragga, ao dancehall e ao dubstep.

Seu disco mais recente, Angels & Devils, foi um dos mais esperados de 2014, e, segundo a FACT, o seu melhor disco até o momento. Nele, há uma separação evidente entre seu lado mais silencioso e sinistro, com composições às vezes sem batida, em que colaboram artistas como Liz Harris (Grouper) e Inga Copeland (copeland, Hype Williams), e seu lado mais intenso e brutal, explosivo, caótico, em que colaboram artistas como Flowdan, Death Grips, Manga e Warrior Queen. 

Tocando com Kevin – que também se apresenta no Novas Frequências com seu outro projeto, o trio King Midas Sound – está a israelense Miss Red. Colaboradora constante do The Bug, de uma potência vocal invejável, a MC dá relevos pop a sua violenta bass music.

Timespine

(Shhpuma/ Portugal)

É impossível rotular a música do trio português Timespine. Seria algo como uma canção folk tocada em fluxo de consciência, mas há também certas conotações dos formatos eruditos contemporâneos (embora sem o purismo matemático). É possível detectar aquele equilíbrio tão característico da música livremente improvisada, mas mais uma vez é uma impressão vaga, até porque são utilizadas partituras gráficas. Essa (intencional) indefinição idiomática é o resultado de se terem juntado músicos com diferentes linguagens: Adriana Sá tem um percurso na música eletrônica experimental, combinando performance com arte e tecnologia; Tó Trips é um guitarrista inspirado no blues, co-fundador da singular e intrigante banda de country-fado-jazz-rock Dead Combo; e John Klima foi membro do grupo pop Presidents of United States of America (antes de sua fase MTV).

Há uma predominância de instrumentos de cordas em Timespine: um zither, um dobro e uma guitarra-baixo. Recorre-se a algum sampling e à percussão, mas esses são colocados a serviço de um fluxo combinado de cordas dedilhadas, beliscadas, percutidas e manipuladas com arco, em afinações inconvencionais. Tudo decorre com suavidade, lentamente, de modo abstrato e não-linear, ganhando um carácter hipnótico, que parece suspender o tempo. Esta é uma música sem métricas e sem relógio – apenas os tempos biológicos humanos são seguidos. 

Trudat Sound

(Escócia)

Trudat Sound é Charlie Knox, um músico e artista multimídia interessado em criar novos contextos para a experimentação da prática sonora. Seus “Public Experiments”, instalações performáticas que incluem o uso de sons, luzes e do próprio espaço em que estão inseridos, não são exatamente um concerto para se observar, escutar ou contemplar, como os tradicionais, mas uma experiência completa pela qual o ouvinte é cercado e engolido.

Seus trabalhos exploram perspectivas plurais, tomando como tema, principalmente, a natureza relativa dos detalhes e dos acidentes, e tendo como fonte de inspiração as artes esculturais e arquitetônicas, bem como como a cultura contemporânea (britânica, principalmente) do clubbing, em suas várias vertentes eletrônicas e eletroacústicas. Através da reconstrução de ambientes audiovisuais imersivos e da engenharia de texturas paralelas entre si, Charlie Knox busca aprender sobre a natureza da experiência (tanto da experiência sonora quanto da experiência no sentido ontológico) e sobre a nossa relação com os espaços que habitamos e em que circunstancias os ocupamos. 

A convite do Novas Frequências, Trudat Sound vem ao Brasil realizar uma performance e, através de uma residência artística, pesquisar a obra de Oscar Niemeyer com a missão de preparar uma peça sonora inspirada nos seus principais projetos arquitetônicos localizados no Rio e em Brasília. Essa obra inédita será inaugurada em abril de 2016 no Counterflows, festival escocês parceiro do NF.

Tyondai Braxton

(Warp, Nonesuch Records/ Estados Unidos)

Tyondai Braxton é um norte-americano que tem composto tanto sozinho quanto como parte de grupos bastante influentes desde a década de 90. O artista é especialmente conhecido como o fundador da banda de post-rock e avant-rock Battles, da qual foi guitarrista, tecladista e vocalista até 2010. A banda recebeu aclamação mundial por seu debut Mirrored, que, entre outras honras e prêmios, foi apontado pela Time e pelo Pitchfork como um dos dez melhores álbuns de 2007.

Recentemente, Braxton, que é filho do multi-instrumentalista de vanguarda e improvisador Anthony Braxton, lançou seu primeiro álbum solo em seis anos – HIVE1 é uma compilação com oito obras concebidas originalmente como parte de uma performance batizada “HIVE” que estreou no Guggenheim de Nova Iorque. 

A música de Tyondai Braxton é extremamente diversa, cheia de possibilidades sonoras e estéticas. Enquanto no Battles, por exemplo, o math-rock dava entrada para estruturas melódicas complexas e dissonantes com influência de free jazz, em HIVE1, os loops mecânicos, orquestrados e sobrepostos entre si dão organicidade ao caos elétrico dos ruídos.

4 – Sinopse dos filmes

Brazil 84

Filme e música de Phill Niblock

(Estados Unidos/ 77 minutos)

Brazil 84 é parte da série do artista multidisciplinar Phill Niblock The Movement of People Working. São imagens em 16mm que trazem longos takes sem edição cuidadosamente moldados para comprimir movimentos individuais. As imagens são filmadas em ambientes rurais e urbanos, capturando as pessoas em seus ambientes de trabalho, homens e mulheres usando as mãos e o corpo para uma coreografia de trabalho eterna que parece sintonizada com o universo da música microtonal de Niblock.

Originalmente em silêncio, Niblock escolheu adicionar sua própria música como trilha sonora, o que ele normalmente faz simultaneamente a exibições públicas do filme. As imagens são cruas, as cores são saturadas e a trilha parece um fenômeno psíquico que transborda à cada cena.

Learning to Listen

de Dan Linn-Pearl, Marianna Roe & Andi Spowart

Learning to Listen é um documentário produzido pela Deaf Pictures que cruza as linhas divisórias entre a música experimental e a arte sonora. O filme apresenta uma série de depoimentos de artistas importantes sobre seu trabalho em relação a pensamento e processo criativo ao mesmo tempo que explora cenas de performance, improvisação, tecnologia e arte sonora.

O projeto usa táticas de filmagem de guerrilha com equipamentos básicos a disposição, o que tornou o processo, em última instância, mais simples e refinado. Narrativas históricas são exploradas, bem como são apresentadas novas obras, novas visões, conceitos e compreensões sobre as ferramentas de criação sonora. Learning to listen espera brindar uma nova audiência com informações sobre técnicas de composição experimentais e não-comerciais, ao mesmo tempo que deve apelar à sensibilidade de músicos já praticantes e profissionais intimamente ligados ao ramo.

Nine Futures: Sounds Fragmenting 

De Nathaniel Budzinski e Theo Cook

 

Nine Futures: Sounds Fragmenting visita nove festivais de música e artes relacionadas analisando como esses eventos se posicionam no centro da nova produção cultural e audiovisual do continente europeu. Narradas por uma coleção de vozes diferentes, Sounds Fragmenting reflete sobre o atual estado da música, sobre fronteiras nacionais e identidades, reimaginando a Europa e o mundo sobre a ótica da lógica musical e suas tendências e mutações.

Os festivals destacados fazem parte da (hoje extinta) rede internacional ECAS (European Cities of Advanced Music Sound), network que posteriormente se desdobrou no mais abrangente ICAS (International Cities of Advanced Music Sound) – rede da qual o Novas Frequências é membro. São eles: TodaysArt (Haia, Holanda), Cimatics (Bruxelas, Bélgica), Musikprotokoll (Graz, Áustria), Skaņu Mežs (Riga, Letônia), Unsound (Cracóvia, Polônia), Insomnia (Tromsø, Noruega), Cynetart (Dresden, Alemanha), CTM (Berlim, Alemanha) e FutureEverything (Manchester, Inglaterra).

A experiência de assistir à obra de Makino Takashi talvez seja melhor expressada pelo título de um de seus filmes: Still in Cosmos. O cineasta tenta criar um estado de frenesi através da múltipla exposição e da superimposição, mas acaba imperando uma noção de que o caos abstrato existe sempre dentro de um tipo de ordem transcendental. Formado em cinema pela Nihon University of Art, Takashi se muda para Londres para se dedicar ao estudo das técnicas de cinema musical, fotografia e luz. Ele passa a produzir seus filmes depois de retornar ao Japão em 2004, influenciado por Jim O'Rourke, com quem teve contato na mesma época. Desde então, Takashi passou a desafiar a produção cinematográfica tradicional, se utilizando de transfers digitais, edição de taxas de quadros por segundo e sobreposição de camadas visuais e sonoras para o limite da tecnologia digital e do cinema e da música abstratos.

Phantom Nebula é, segundo a San Francisco Cinematheque, “um duelo entre a dominação imaculada do digital e a orgânica irregularidade do material se dissolvendo em múltiplas facetas de caos, massas gasosas intercambiáveis sem forma definida”. 

Taking the dog for a walk

de Antoine Prum

Taking the dog for a walk apresenta um mapa da cena musical de improvisação livre na Grã Bretanha, tanto do passado quanto do presente. O documentário alterna sequências musicais extensas a conversações lideradas que gravitam em torno das idiossincrasias da improvisação.

Produzido por Paul Thiltges e Antoine Prum para a NI-VU-NI-CONNU Productions, o filme estreou em 2014 no East London Film Festival. Inclui entrevistas conduzidas por Stewart Lee e Tony Bevan com Eddie Prévost, Steve Bereford, John Butcher, Alex Ward, Maggie Nicols, Phil Minton e muitos outros. Num trabalho escultural de pesquisa em arquivos de filmagem, Taking the dog for a walk analisa a rede de pequenos pontos de encontros e selos que ajudaram a moldar este nicho da cena musical britânica.

What We Leave Behind

de Stephan Crasneanscki/ Soundwalk Collective

What We Leave Behind é uma peça sonora composta somente por material inédito de fragmentos de som que foram gravados nos sets dos filmes de Jean-Luc Godard, mas que acabaram nunca sendo publicados. A composição de sons, redescoberta por acidente em algum lugar da França, nos mostra um arquivo audiovisual muito real (no sentido de autêntico, sincero) e de certa forma esquecido pelo diretor.

What We Leave Behind é um retrato do cinema contemporâneo e uma reflexão sobre o arquivo como ideia corrente no pensamento filosófico e artístico. A intenção da peça é demonstrar o poder do arquivo: guardar uma constelação de memórias e identidades, histórias, narrativas. Direções de palco, a atmosfera dos sets de gravação, falsos começos, novas tomadas e todos esses detalhes de cada momento que geralmente passam imperceptíveis, mas são, em última instância, o que nós deixamos de legado para a eternidade.

5 – Serviço

Festival Novas Frequências 5ª edição: RECAP

Data: De 1 a 8 de dezembro de 2015

Locais: Oi Futuro Ipanema (3 a 6); Oi Futuro Flamengo (5 e 6); SESC Ginástico (1 e 2); Maison de France (7 e 8); Solar do Acabaxi (4); Audio Rebel (1, 2, 3, 4, 7 e 8), Galpão Tunga (1 a 8), Centro Municipal de Artes Calouste Gulbenkian (1 a 5), Casa Rio (4).

Oi Futuro Ipanema

Endereço: Rua Visconde de Pirajá, 54/ 3º andar – Ipanema

Horário dos shows: 21h 

Entrada: R$ 20 (meia entrada: R$ 10)

Capacidade: 92 lugares

Classificação: Livre

Informações: (21) 3201-3010

www.oifuturo.org.br

Oi Futuro Flamengo

Endereço: Rua Dois de Dezembro, 63

Horário das palestras e oficinas: 11h

Entrada franca

Capacidade: 64 lugares

Classificação: livre

Informações: (21) 3131-3060

www.oifuturo.org.br

SESC Ginástico

Endereço: Av. Graça Aranha, 187 

Horário: 14h-18h

Entrada: R$20 (meia entrada: R$10)

Capacidade: 513 poltronas fixas e 23 cadeiras removíveis

Classificação: livre

Informações: (21) 2279-4027

http://www.sescrio.org.br/

Maison de France

Endereço: Av. Presidente Antônio Carlos, 58

Horário dos shows: 20h

Entrada: R$20 (meia entrada: R$10)

Capacidade: 352 lugares

Classificação: livre

Informações: 3435-2692

http://teatromaisondefrance.com.br/

Solar do Abacaxi

Endereço: Rua Cosme Velho, 857

Horário: 23h-05h

Entrada: R$ 20,00 (lista amiga até 0:00); R$ 30,00 (lista amiga depois de 0:00); R$ 50,00 (na hora)

Capacidade: 400 lugares

Classificação: 18 anos

Audio Rebel

Endereço: Rua Visconde de Silva, 55

Horário dos filmes: 16:00

Capacidade: 90 lugares

Classificação: livre

Informações: 3435-2692

 

Galpão Tunga

Endereço: Estrada do Joá 3839 – Barra da Tijuca

Horário da exposição e das performances: 15:00 – 17:00

Capacidade: 60 lugares

Classificação: livre

Centro Municipal de Artes Calouste Gulbenkian

Endereço: Rua Benedito Hipólito, 125 - Praça XI

Horário do hacklab: 11:00 – 18:00

Horário da performance: 16:00

Capacidade: 60 lugares

Classificação: livre

Informações: 2224-8300

http://www0.rio.rj.gov.br/calouste/

Casa Rio

Endereço: Rua São João Batista, 105 – Botafogo

Horário das palestras: 14:00 – 16:00

Capacidade: 60 lugares

Classificação: livre

Informações: 3593-7294

http://www.peoplespalaceprojects.org.uk/

 

 

 

 

Sobre o British Council

O British Council é a organização internacional sem fins lucrativo do Reino Unido para relações culturais e oportunidades educacionais. Seu trabalho busca estabelecer a troca de experiências e criar laços de confiança por meio do intercâmbio de conhecimento e de ideias entre pessoas ao redor do mundo. A organização está presente em mais de 100 países e trabalha com parceiros como os governos em diversas instâncias, organizações não-governamentais e iniciativa privada, em ações relacionadas à promoção da língua inglesa, cultura, artes, educação e programas sociais.  Informações:http://www.britishcouncil.org.br/