Depois do sucesso das seis edições anteriores, a conferência internacional do British Council New Directions in English Language Assessment chegou pela primeira vez à América Latina com o objetivo de entender as necessidades de aprendizado da língua inglesa da região e levantar propostas para o avanço do método avaliativo das instituições de ensino locais. 

Realizada nos dias 21 a 23 de março de 2019, na Universidade Iberoamericana, na Cidade do México, a 7ª edição do New Directions trouxe mais de 50 painéis que mostraram estudos sobre novas propostas de ensino e avaliação da língua inglesa, além de casos práticos realizados por educadores latino-americanos. 

De acordo com uma pesquisa de âmbito nacional do British Council, publicada em 2014, o ensino de inglês na educação básica do Brasil, seja privada ou pública, não consegue formar estudantes com um bom nível de proficiência nesse idioma. A pesquisa, que investigou demandas de aprendizagem de inglês no país, mostrou que as defasagens do ensino básico, somadas ao baixo acesso a cursos privados de inglês, fazem com que o mercado de trabalho tenha dificuldade em encontrar profissionais com proficiência na língua.  

"Um sistema de ensino é sustentado por três elementos fundamentais: currículo, metodologia e avaliação. Se um deles não funciona, então o sistema é corrompido. No entanto, costumamos voltar toda a nossa atenção para os dois primeiros itens, e esquecemos que um método ruim de avaliação também pode quebrar este mesmo sistema." – Professor Barry O'Sullivan, Chefe do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento de Avaliações do British Council.

Primeiro palestrante do evento, O’Sullivan ressaltou que os sistemas de avaliação devem considerar as características locais de onde são aplicados. "Um teste, mesmo que não seja construído para um grupo específico, deve ser pensado localmente. Uma avaliação não pode ser a mesma para quem pretende cursar uma universidade nos Estados Unidos ou usá-lo dentro do território mexicano, por exemplo", explicou. 

Ele apresentou um projeto chamado Knowledge-based Vocabulary List (KVL), que pretende analisar grupos de palavras anglo-saxônicas mais usados em diferentes culturas. Realizado em parceria entre o British Council e a Universidade de Nottingham, o projeto criou um site (www.vocabularychallenge.org), que convida falantes de três diferentes línguas (alemão, chinês e espanhol) a testar os seus conhecimentos do vocabulário inglês. O resultado ajudará os pesquisadores a compreenderem em quais campos os nativos desses idiomas possuem maior ou menor domínio para entender as suas demandas.  

Com o mesmo objetivo de melhor conhecer o uso do inglês por quem tem o idioma como sua segunda língua, o professor de Educação Linguística do King’s College London, Constant Leung, falou sobre o estudo organizado por ele que traça os novos desafios do ensino e avaliação do idioma. “O uso da língua muda ao longo do tempo e, atualmente, com um grande número de pessoas falando mais de um idioma no seu dia a dia, percebemos que a sua prática está sendo ajustada para adequar-se a este contexto multilinguístico”, explicou.

O trabalho de Leung tem como base o uso do inglês em ambientes onde convivem pessoas de nacionalidades diversas, como universidades internacionais. “A proposta é revisar alguns conceitos estabelecidos e ampliar os valores que sustentam atualmente a avaliação da língua inglesa”, acrescentou. 

Professor Barry O’Sullivan na conferência New Directions in English Language Assessment.
Professor Barry O’Sullivan na conferência New Directions, no México.

Um dos exemplos citados que vai ao encontro da flexibilidade proposta pelo encontro é o da Universidade de Veracruz, no México. Parceira de longa data do British Council, a instituição de ensino superior criou o seu próprio método de avaliação de proficiência do inglês para superar a barreira econômica que impedia seus alunos de adquirirem um certificado. “Os exames internacionais são inacessíveis para a maioria dos nossos estudantes, cuja renda familiar média é de 1.600 pesos mexicanos (ou 85 dólares) ”, contou a diretora do Centro de Línguas, Adriana Abad. 

O método criado pela universidade mexicana foi desenvolvido a partir de acordos com o British Council e a Universidade Surrey Roehampton, assegurando, assim, a manutenção dos padrões internacionais de avaliação sob a tutela de consultores britânicos. 

Professor de linguística da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, James Purpura trouxe ao evento outro projeto inovador para o ensino da língua inglesa. Baseada na integração entre conteúdo e linguagem (CLIL, sigla em inglês), sua proposta orienta que as avaliações sejam feitas por meio debates sobre temas específicos. “Quando um aluno é estimulado a encontrar a solução de um problema, não importa em qual área, isso envolve a aquisição e a integração da linguagem e do conteúdo aprendido”, elucidou Purpura, que levantou ainda um questionamento sobre como as avaliações poderão ser estruturadas a fim de engajar processos complexos de raciocínio em outro idioma. 

"Avaliar o conhecimento da língua inglesa não é mais tão simples como costumava ser. O uso do idioma está mais complexo e multifacetado em uma variada gama de necessidades específicas. Por isso, a importância de reunir educadores, pesquisadores e tomadores de decisão em políticas públicas para trocar ideias, informações e descobertas em busca de encontrar soluções para o avanço do aprendizado da língua inglesa no mundo", comentou o diretor do British Council no México, Kevin Mackenzie.  

Delegações de mais de 20 países estiveram presente no encontro ocorrido no México. A conferência New Directions terá ainda mais duas edições na região: em 2020, na Colômbia, ainda sem data definida; e outra que pode vir a ocorrer no Brasil, prevista para 2021.

Saiba mais em https://americas.britishcouncil.org/new-directions