Os autores Zadie Smith and Hisham Matar foram convidados a integrar mesas da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). ©

Ben Bailey-Smith e Diana Matar

Date
Sábado, Julho 25, 2026
Location
Paraty, RJ

Realizada desde 2003, a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) é uma das grandes referências culturais da América Latina e nasceu inspirada no Hay Festival, no País de Gales, criado em 1988. Em maio de 2026, a FLIP esteve presente na 37ª edição do Hay Festival com diversos autores brasileiros, como parte do Ano Cultural Brasil/Reino Unido 2025-26.

Em julho, é a vez de nomes de destaque da literatura britânica contemporânea aportarem em Paraty, apoiados pelo British Council. Zadie Smith e Hisham Matar reforçam o papel da festa literária como espaço de diálogo entre culturas e palco para debates sobre memória, identidade e os desafios políticos e sociais que atravessam a escrita. Ambos os autores transformaram experiências pessoais e coletivas em obras que dialogam com leitores de todo o mundo.

Zadie Smith, filha de mãe jamaicana e pai inglês, é entrevistada por Juliana Borges, colunista da revista de livros Quatro Cinco Um na Mesa 18 – “e este chão não existe, e esta paz é vertigem” (sábado, 25/07, às 19h). Na conversa, discute a construção de sua obra e temas que marcam seus romances: colonialismo, imigração, racismo e pertencimento. Desde o lançamento de Dentes brancos, em 2000, Smith se consolida como uma das vozes mais celebradas da literatura em língua inglesa, conquistando leitores e críticos com seu olhar irônico e profundo sobre a Inglaterra multicultural contemporânea.

Ao longo de sua carreira, a autora mantém o vigor criativo em títulos como Sobre a beleza, indicado ao Booker Prize e vencedor do Orange Prize, Ritmo louco, romance de formação sobre identidade, e NW, um épico urbano finalista do National Book Critics Circle Award. Em 2023, lança A fraude, seu primeiro romance histórico, que transporta o leitor à Londres vitoriana e às plantações jamaicanas de cana-de-açúcar, explorando vaidade, paixões proibidas e as cicatrizes do imperialismo. 

Hisham Matar traz à tona a força da literatura como testemunho diante de regimes autoritários. Filho de pais líbios, Matar viveu de perto o desaparecimento de seu pai durante a ditadura de Muammar Gaddafi, experiência que atravessa sua obra. É autor de No país dos homens e Anatomia de um desaparecimento. Seu livro de memórias O retorno venceu o Pulitzer Prize de Biografia/Autobiografia em 2017. Sua obra mais recente, Meus amigos, foi indicada ao Booker Prize e finalista do National Book Award.

Na Mesa 17 – “não mais sabemos do barco, mas há sempre um náufrago” (sábado, 25/07, às 17h) ele dialoga com o premiado escritor brasileiro Milton Hatoum, que aborda em sua trilogia o impacto da ditadura militar brasileira sobre famílias e memórias. Ambos os autores refletem sobre como a ficção pode iluminar cicatrizes históricas e abrir caminhos para a liberdade de expressão.

A programação completa da 24ª edição da Flip, que acontece entre os dias 22 e 26 de julho, pode ser conferida no site do evento.  

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Ano Cultural Brasil/ Reino Unido 2025-2026