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Photo: Ícaro Vieira/Iepé

Date
Segunda-feira, Setembro 1, 2025Sexta-feira, Julho 31, 2026
Location
Terras Indígenas Kaxuyana-Tunayana (Oriximiná, PA), Belém (PA) e Londres (Reino Unido).

Os Katxuyana e Kahyana, da região do Wayamu, no extremo norte do Brasil, estão redescobrindo parte de sua história ao revisitar coleções etnográficas guardadas no Museu Paraense Emílio Goeldi e no British Museum. Muitos desses objetos estão fora dos territórios indígenas há quase cem anos. Agora, eles voltam a ser vistos, interpretados e ressignificados pelos próprios criadores e seus descendentes.

Para ampliar a presença indígena na construção de narrativas museológicas, o projeto cria pontes entre povos da Amazônia e instituições culturais no Brasil e no Reino Unido. Idealizado pela Associação Indígena Katxuyana, Tunayana e Kahyana (AIKATUK), é realizado pelo Iepé - Instituto de Pesquisa e Formação Indígena em parceria com o Santo Domingo Centre of Excellence for Latin American Research, do British Museum e com a Universidade Federal Fluminese (UFF). 

Reconexão e intercâmbio cultural

A abordagem propõe uma oficina em terras indígenas, onde os artefatos são revisitados digitalmente e ganham novas leituras. Também inclui duas visitas ao British Museum, em Londres, e a co-curadoria de peças a serem exibidas no Museu Paraense Emílio Goeldi, no segundo semestre de 2026. 

As atividades são coordenadas pela Dra. Denise Fajardo, do Programa Tumucumaque-Wayamu do Iepé, e conduzidas por uma equipe diversa, formada principalmente por mulheres indígenas e não-indígenas – entre elas antropólogas, biólogas, historiadoras e guardiãs de saberes tradicionais.  

O foco é valorizar o protagonismo indígena na interpretação de seus patrimônios, fortalecer os laços comunitários e ampliar o debate global sobre a descolonização dos acervos indígenas mantidos por museus. Ao final do projeto, está prevista a organização de um livro digital bilíngue. 

Linha do tempo

  • Segundo semestre de 2025 (remoto): Planejamento conjunto entre equipes do Brasil (AIKATUK, Iepé, UFF) e do Reino Unido (British Museum/SDCELAR), mapeamento das coleções e desenho dos processos de co-curadoria.
  • Setembro de 2025: Visita de um ancião e um jovem indígena e uma pesquisadora não-indígena ao British Museum, para identificar, mapear e sistematizar as coleções etnográficas dos povos Katxuyana e Kahyana.
  • Março de 2025: Durante oficina comunitária na Aldeia Purho Mïtï, no rio Trombetas, foram produzidas e selecionadas 70 peças, incluindo 10 novos txamatxama, para a exposição no Museu Paraense Emílio Goeldi.
  • Junho de 2026: No British Museum, em Londres, representantes dos Katxuyana e Kahyana apresentam o txamatxama — coroa confeccionada com penas de gavião-real, de significado espiritual, cultural e político — em evento para convidados.  
  • 30 de junho de 2026: Abertura da exposição temporária da coleção katxuyana e kahyana no Museu Paraense Emílio Goeldi, com uma mesa-redonda sobre o projeto. 

*O projeto Povos Indígenas e Museus foi selecionado por meio da chamada do Ano Cultural Brasil/Reino Unido.

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Ano Cultural Brasil/ Reino Unido 2025-2026
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