Os Katxuyana e Kahyana, da região do Wayamu, no extremo norte do Brasil, estão redescobrindo parte de sua história ao revisitar coleções etnográficas guardadas no Museu Paraense Emílio Goeldi e no British Museum. Muitos desses objetos estão fora dos territórios indígenas há quase cem anos. Agora, eles voltam a ser vistos, interpretados e ressignificados pelos próprios criadores e seus descendentes.
Para ampliar a presença indígena na construção de narrativas museológicas, o projeto cria pontes entre povos da Amazônia e instituições culturais no Brasil e no Reino Unido. Idealizado pela Associação Indígena Katxuyana, Tunayana e Kahyana (AIKATUK), é realizado pelo Iepé - Instituto de Pesquisa e Formação Indígena em parceria com o Santo Domingo Centre of Excellence for Latin American Research, do British Museum e com a Universidade Federal Fluminese (UFF).
Reconexão e intercâmbio cultural
A abordagem propõe uma oficina em terras indígenas, onde os artefatos são revisitados digitalmente e ganham novas leituras. Também inclui duas visitas ao British Museum, em Londres, e a co-curadoria de peças a serem exibidas no Museu Paraense Emílio Goeldi, no segundo semestre de 2026.
As atividades são coordenadas pela Dra. Denise Fajardo, do Programa Tumucumaque-Wayamu do Iepé, e conduzidas por uma equipe diversa, formada principalmente por mulheres indígenas e não-indígenas – entre elas antropólogas, biólogas, historiadoras e guardiãs de saberes tradicionais.
O foco é valorizar o protagonismo indígena na interpretação de seus patrimônios, fortalecer os laços comunitários e ampliar o debate global sobre a descolonização dos acervos indígenas mantidos por museus. Ao final do projeto, está prevista a organização de um livro digital bilíngue.
Linha do tempo
- Segundo semestre de 2025 (remoto): Planejamento conjunto entre equipes do Brasil (AIKATUK, Iepé, UFF) e do Reino Unido (British Museum/SDCELAR), mapeamento das coleções e desenho dos processos de co-curadoria.
- Setembro de 2025: Visita de um ancião e um jovem indígena e uma pesquisadora não-indígena ao British Museum, para identificar, mapear e sistematizar as coleções etnográficas dos povos Katxuyana e Kahyana.
- Março de 2025: Durante oficina comunitária na Aldeia Purho Mïtï, no rio Trombetas, foram produzidas e selecionadas 70 peças, incluindo 10 novos txamatxama, para a exposição no Museu Paraense Emílio Goeldi.
- Junho de 2026: No British Museum, em Londres, representantes dos Katxuyana e Kahyana apresentam o txamatxama — coroa confeccionada com penas de gavião-real, de significado espiritual, cultural e político — em evento para convidados.
- 30 de junho de 2026: Abertura da exposição temporária da coleção katxuyana e kahyana no Museu Paraense Emílio Goeldi, com uma mesa-redonda sobre o projeto.
*O projeto Povos Indígenas e Museus foi selecionado por meio da chamada do Ano Cultural Brasil/Reino Unido.