34 Bienal de São Paulo
Date
Sábado, Setembro 4, 2021Domingo, Dezembro 5, 2021
Location
São Paulo

A 34º Bienal de São Paulo propõe como temática Though it is dark, still I sing” (Faz escuro mas eu canto), que enfatiza poéticas da “relação”, a partir de autores como Édouard Glissant e Eduardo Viveiros de Castro, e adota uma estrutura de funcionamento inovadora, por meio de mostras e ações apresentadas no Pavilhão da Bienal.

A Bienal de São Paulo acontece de 4 de setembro de 2021 a 5 de dezembro de 2021, no Pavilhão da Bienal, localizado no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

Por meio do novo programa Building Pathways, o British Council apoia a Bienal de São Paulo e a participação britânica em exposições e atividades de formação em artes, assim como diálogos públicos.

 Mais 25 organizações são parceiras da 34º Bienal de São Paulo.

Conheça os artistas britânicos ou que recebem apoio do British Council que participam desta edição da Bienal

  • Neo Muyanga (1974, Joanesburgo, África do Sul. Vive na Cidade do Cabo, África do Sul)

Compositor, artista sonoro e libretista, Neo Muyanga produz obras que reverberam com os tons de um tempo presente enraizado na violência e alimentado pela revolta. Com um trabalho que inclui ópera, improvisação de jazz e canções tradicionais das culturas Zulu e Sesotho, o artista realiza uma pesquisa contínua sobre os vários sons que compõem a história da canção de protesto no contexto pan-africano e diaspórico.

Recentemente, seu trabalho de pesquisa o levou à intrincada história do hino cristão “Amazing Grace”, escrito pelo poeta e clérigo britânico John Newton, em 1772. “Amazing Grace”, canção que desperta sentimento profundo e sentimento de união, está associada à black music e às narrativas da luta abolicionista. No entanto, pouco se fala sobre o autor desta canção. O inglês John Newton (1725-1807) desempenhou um papel significativo no tráfico de escravos africanos para as Américas, inclusive para o Brasil. Depois de várias experiências de quase morte, Newton afirma ter tido uma epifania divina, após a qual se tornou um padre anglicano e abolicionista, e compôs os versos e a música da famosa "Amazing Grace".

A canção, uma das mais conhecidas e executadas da história, conhecida principalmente por seu papel na construção da identidade musical negra e na luta pela abolição, foi na realidade composta por um escravista branco em busca de redenção. Abordando os paradoxos dessa história, Neo Muyanga desenvolveu A Maze in Grace (2020), uma performance coletiva de larga escala, em colaboração com o coletivo Legítima Defesa e a artista Bianca Turner. A apresentação inaugurou a 34ª Bienal, em fevereiro de 2021.

A exposição principal da 34ª Bienal, com estreia em setembro de 2021, contará com uma nova performance e um vídeo criado a partir da performance que aconteceu na Bienal de São Paulo.

  • Olivia Plender (1977, Londres, Reino Unido. Vive em Londres, Reino Unido e Estocolmo, Suécia)

O trabalho de Olivia Plender é baseado em pesquisas históricas que analisam métodos pedagógicos e movimentos revolucionários, sociais, políticos e religiosos principalmente dos séculos XIX e XX. Plender encontra seus recursos em arquivos institucionais, bem como na literatura e em narrativas anônimas e populares, utilizando-os para fazer instalações, vídeos e histórias em quadrinhos que abordam o presente, com o objetivo de desmascarar e compreender as estruturas hierárquicas e convenções sociais vigentes.

A artista não se interessa apenas pelos fatos históricos em si, mas também pela maneira como a história circula e é contada como mitos, fábulas ou boatos. Nos últimos anos, seu foco tem sido a pesquisa de situações, processos e narrativas que surgem de movimentos organizados por minorias sociais, particularmente com associações feministas e socialistas. Embora ela tenha um fascínio particular por eventos passados, Plender está interessada em vivenciar essas ideias no presente, comparando formas de participação social e, finalmente, buscando novas alternativas para a coletividade e intervenção pública que transcendam os fundamentos neoliberalistas.

 Enquanto pesquisava em um arquivo feminista em Londres, Plender encontrou um roteiro para a peça Liberty or Death, de Sylvia Pankhurst (c. 1913), uma líder do movimento sufragista feminino e fundadora do Partido Comunista do Reino Unido. Não houve registro na documentação encontrada de qualquer publicação ou encenação da peça, que é inspirada na luta da East London Federation of the Suffragettes para melhorar as condições de vida e de trabalho das mulheres.

No vídeo Hold Hold Fire (2020) e em uma série de desenhos a lápis, Olivia Plender usa a peça de Pankhurst como ponto de partida para discutir a atualidade em relação à violência doméstica, a disparidade salarial e a crise habitacional, a partir da perspectiva de mulheres no Reino Unido. A artista realizou uma série de encontros em centros comunitários com grupos de ativistas femininas e, junto com uma diretora de teatro, retrabalhou cenas e diálogos da peça de Pankhurst para torná-las atuais, com referências à política britânica recente, em particular à política de austeridade em vigor desde 2010 e o ambiente racista e hostil adotado pelo departamento de imigração.

Em Hold Hold Fire, Plender filma um desses workshops, no qual um grupo de mulheres está recebendo aulas de autodefesa. Os desenhos a lápis, também incluídos na exposição, são baseados em imagens de sufragistas sendo presas pela polícia. Em cada imagem, o espectador vê uma mulher sendo presa por policiais do sexo masculino. Nessas imagens, a repetição do ato de ser preso visa enfatizar a natureza contínua da luta política. As mulheres retratadas expressam suas individualidades, enquanto os policiais são todos iguais e realizam as mesmas ações que aqueles que desarticulam violentamente os protestos hoje.

  • Lawrence Abu Hamdan (1985, Amã, Jordan. Vive em Dubai, Emirados Árabes Unidos)

Lawrence Abu Hamdan se considera um “ouvido particular”. Seu trabalho gira frequentemente em torno de investigações meticulosas e articuladas do ruído e da fala, ou mesmo do silêncio, de forma a enfatizar a sua importância nas sociedades contemporâneas e, mais especificamente, a sua natureza profundamente política.

Originalmente inspirado pela música, Abu Hamdan ficou cada vez mais interessado em som e voz como testemunhas de violência e injustiça, construindo um corpo de trabalho onde as vozes emergem como ferramentas políticas ideais para uma análise da sociedade contemporânea e, mais especificamente, das relações de poder e dominação. Para Abu Hamdan, a linguagem é constantemente ouvida, transformada e manipulada por estruturas políticas e sociais em posições de poder. Por meio de vídeos, áudio-documentários, instalações e oficinas, o artista leva o uso da fala pelas estruturas sociais e políticas a seus limites.

Na 34ª Bienal de São Paulo, Abu Hamdan apresentará uma nova versão de After Sfx (2018), uma instalação de vídeo e som derivada da performance homônima, descrita pelo artista como uma “cacofonia barulhenta de objetos, uma lista de loops acústicos, destroços e memórias sonoras de violência indissociáveis ​​do som do cinema”, que enfatiza como a nossa percepção do som é um ato profundamente cultural e mediado.

Ele foi indicado e ganhou - juntamente com Tai Shani, Oscar Murillo e Helen Cammock - o Prêmio Turner 2019 por seu trabalho realizado por meio de entrevistas com ex-detentos em uma prisão síria.

  • Lydia Ourahmane (1992, Saïda, Argélia. Vive em Argel, Argélia e Barcelona, Espanha)

Na maioria de suas exposições recentes, as intervenções de Lydia Ourahmane foram escassas, quase imperceptíveis. O objetivo da artista parece ser o de fazer o visitante duvidar do que está vendo ou ouvindo, ou mesmo se há, de fato, algo para ser visto ou ouvido. Em Solar Cry (2020), por exemplo, ela instalou dentro de uma parede de madeira uma série de caixas de som, que reproduziam o som do silêncio, gravado em uma caverna remota no planalto Tassili n'Ajjer, no Saara argelino. Apesar de inaudível, a gravação tornou-se perceptível pelas vibrações que produziu, amplificadas pela madeira.

Criada na Inglaterra, a artista voltou recentemente a morar na Argélia, onde passou a maior parte de seus primeiros anos fugindo das ameaças e repressão que sua família enfrentava por fazer parte de uma minoria cristã ativa em um país de maioria muçulmana, no contexto explosivo de uma guerra civil (1991-2002). 

Serviço

34ª Bienal de São Paulo – Faz escuro mas eu canto

4 de setembro de 2021 a 5 de dezembro de 2021

Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque Ibirapuera

Entrada gratuita