Considerada uma das criadoras mais visionárias de sua geração, a britânica Es Devlin ganha sua primeira mostra no Brasil, na Casa Bradesco, com curadoria de Marcello Dantas. A obra da artista combina arquitetura, luz, som e participação coletiva, criando experiências imersivas que questionam identidade, alteridade e nossa relação com o mundo natural e tecnológico. Não por acaso a mostra brasileira tem como ponto alto um labirinto de espelhos, que desafia nossa percepção da realidade, da identidade e do desconhecido.
Os trabalhos de Devlin transitam entre esculturas públicas e instalações em instituições como Tate Modern, Victoria & Albert Museum, Serpentine Gallery, Imperial War Museum e na Assembleia Geral das Nações Unidas, até cenografias cinéticas para a Royal Opera House, o National Theatre e a Metropolitan Opera. Como cenógrafa, criou projetos de grande escala em eventos globais, como as cerimônias olímpicas e o intervalo do Super Bowl, além de espetáculos monumentais para artistas como Lady Gaga, Beyoncé, Bad Bunny, Kendrick Lamar e U2.
O título da exposição, Sou o Outro do Outro, nasce do diálogo entre arte e pensamento antropológico. Inspirado em Eduardo Viveiros de Castro, que afirma que “a perspectiva é constitutiva do mundo”, o curador Marcello Dantas desenvolve a ideia para explicar a proposta da mostra: “Tornamo-nos ‘eu’ apenas quando aceitamos que somos também, inevitavelmente, o outro do outro.”
Assim, cada instalação convida o visitante a experimentar-se em relação ao outro – como parte de uma comunidade temporária, um coro de diferenças em ação.
As instalações
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Infinite Library
Biblioteca infinita que reúne narrativas coletivas, lembrando que todo imaginário é compartilhado. -
Mirror Maze
Labirinto de espelhos que fragmenta a identidade e questiona nossa busca incessante por uma imagem estável de nós mesmos. -
Falling
Explora a experiência da queda, revelando a vulnerabilidade e o desequilíbrio como parte da condição humana. -
Come Home Again
Um coro de espécies e presenças que nos convida a reconhecer a interdependência entre humanos, animais e culturas. -
Surfacing
Ambiente que sugere emergências e revelações, trazendo à tona camadas ocultas da percepção e da memória. -
Exquisite Corpse
Obra coletiva em que visitantes completam desenhos iniciados pela artista, criando um registro vivo de encontros e perspectivas. -
Screen Share
Encerramento da mostra, onde imagens circulam entre corpo, papel e memória, simbolizando o gesto de troca e pertencimento.
Com parceria internacional do Ano Cultural Brasil/Reino Unido, a exposição reafirma o compromisso do British Council e do IGR em promover diálogos culturais entre Brasil e Reino Unido, oferecendo ao público brasileiro uma experiência imersiva que une arte, tecnologia e reflexão sobre identidade, alteridade e sustentabilidade