Universidades para o Mundo: desafios e oportunidades para internacionalização

Em novembro de 2017, o British Council levou a polos universitários em quatro regiões do país conhecimento sobre a internacionalização no Ensino Superior, fomentando debates com vistas a fortalecer as instituições brasileiras para que possam estabelecer mais parcerias estratégicas. Os seminários Universidades para o Mundo contaram com a presença de reitores, vice-reitores de pós-graduação, pesquisa e relações internacionais, chefes da NUCLII e departamentos de língua inglesa, a maioria de universidades públicas.

“Os objetivos da internacionalização são múltiplos: criar um diálogo competitivo entre universidades, gerar redes de conhecimento, captar talentos e gerar pesquisa aplicada que contribua para o desenvolvimento regional e nacional. Procuramos entender como as instituições caminham nesse processo e quais são os desafios mais relevantes em cada região.”
─ Diana Daste, Gerente Sênior de Educação Superior do British Council

Nos seminários para as regiões Centro-Oeste (na UFG, em Goiânia) e Sul (na FIEP do Paraná, em Curitiba), esteve presente Peter Wood, gerente do departamento responsável pelos serviços de reconhecimento e validação de diplomas internacionais do NARIC. A plataforma Carolina Bori, do MEC, foi elogiada por fazer a ponte entre as universidades e os alunos. Ao mesmo tempo, comentou-se que o processo de validação de diplomas continua burocrático e depende muito dos responsáveis e do tipo de avaliação em cada instituição.

Em Goiânia, o foco central dos debates foi a dificuldade com a língua inglesa e a demora em adquirir proficiência. Questionou-se quando o Brasil deve alcançar os níveis adequados para a internacionalização e comentou-se a realidade precária do ensino de idiomas no Ensino Fundamental e Médio. Quem apresentou as exigências de proficiência, os possíveis perfis de alunos e a necessidade de se desenhar uma política de línguas (Language Policy) nas universidades foi John Knagg, Head Global de Inglês para Sistemas de Educação do British Council. Knagg organizou workshops para debater essas questões e falou sobre English Language Teaching (ELT) e English as a Mean of Instruction (EMI).

A questão dos planos de internacionalização e como operacionalizá-los foi bastante discutida pelas instituições presentes no evento da região Sudeste, que também contou com a apresentação da política de internacionalização da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Para explicitar os benefícios com parcerias de pesquisa, a Dra. Audrey Heppleston, Gerente de Financiamento de Pesquisa Internacional e Pós-Graduação da University of East Anglia, contou o exemplo e o caminho percorrido por sua instituição, em Norwich, no Reino Unido, em exposição que foi realizada nos quatro programas do Universidades para o Mundo.

Nos seminários para a região Nordeste (no IFBA, em Salvador) e a Sudeste (na UFMG, em Belo Horizonte) houve uma ênfase na temática inovação, trazida por Paul Noon, Vice-reitor de Empreendimento e Inovação da Coventry University, que mostrou parcerias com universidades pelo mundo com objetivo de solucionar problemas de grandes empresas, como, por exemplo, uma solução de design e engenharia para tornar um automóvel mais sustentável. No Nordeste se problematizou a questão do idioma inglês como barreira a ser ultrapassada; e representantes do programa Idiomas sem Fronteiras trouxeram sugestões e estratégias. A data do seminário, ocorrido em Salvador, coincidiu com o dia da Consciência Negra, dando mais relevância ainda ao debate sobre igualdade nas universidades. No evento do Sudeste, destacaram-se ações regionais, como as do Núcleo Mineiro de Internacionalização do Ensino Superior (NUMIES), o histórico de sucesso da própria Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPEMIG e FAPESP) e de novas universidades, como a UFABC, de São Paulo, que apresentou suas estratégias de EMI e internacionalização em casa.

Os quatro seminários contaram também com explicações de representantes da CAPES sobre o novo o programa CAPES/PrInt, com edital lançado no dia 3 de novembro de 2017 e inscrições abertas até 18 de abril de 2018. Por meio dele, serão disponibilizados R$ 300 milhões anuais para apoio a Projetos Institucionais de Internacionalização, que receberão recursos para missões de trabalho no exterior, bolsas no país e no exterior e outras ações de custeio que forem provadas pela CAPES. “É olhando para o futuro que nos reunimos aqui”, disse Fábio Alves, Diretor de Relações Internacionais da UFMG, no evento do Sudeste. “Um encontro como esse é essencial para criar as bases desse planejamento que a CAPES nos pede. A UFMG é uma das líderes brasileiras no processo de internacionalização e a análise de necessidades sempre guiou nossas ações. As universidades próximas a nós terão nosso empenho e esforço para levá-las adiante nesse processo”, declarou. Além das trocas de experiências, das palestras e explicações de especialistas britânicos e nacionais, os eventos incentivaram o networking e as conversas produtivas entre profissionais em posições-chave de várias universidades brasileiras.